Estou aqui sentindo um pouco das terras de nossa mãe África. Sinto-me mais em casa, apesar de perceber o quanto ela é diversa e tem muito a ensinar-me. Sinto-me num reencontro com um familiar que a muito não encontrava, um lugar longínquo que habita todo um imaginário de tempos passados de brincadeiras, de sons, de cores, de histórias de cura, histórias sofridas, de roda, de capoeiragem. Parece que esse lugar sempre esteve em mim ou em algum tempo remoto já estive aqui. Ontem saímos da cidade e conhecemos um pouco do deserto, uma viagem linda e cheia de segredos. Cenários cinematográficos de luz e calor. As cores da paisagem em laranja cor de barro, a terra seca, clima árido, trouxeram-me para perto do sertão nordestino brasileiro. Nos mercados fomos envolvidos pela magia do comércio, ou melhor, a magia de comercializar, que nos deixaram embriagados com seus chás, cheiros, sons e suas conversas. Nos deixamos envolver e percebemos um pouco a arte de sobreviver daquele povo. Ontem ao pé da fogueira, aos sons dos tambores de barro e vozes dos toaregues, sobre a luz da lua e das estrelas, em meio ao deserto, fomos envolvidos por uma atmosfera mágica que fez-me transportar em pensamentos. Pensei que foi um belo desfecho nestas passagens pelas bandas de cá, mas sinto que estas terras ainda tem muito a oferecer-me.
Janaina




